CafécomVida em revista na SABER VIVER – Trabalhar a autonomia

O CafécomVida, que forma e emprega jovens com perturbação de desenvolvimento, é um exemplo para futuros empregadores

A edição de dezembro de 2019 da da revista Saber Viver destaca o projeto CafécomVida e a Associação VilacomVida. Deixamos um resumo e queremos agradecer a todos os parceiros, voluntários e famílias o apoio dado neste último ano.

O nosso objetivo era criar um projeto de vida autónoma, pois um dos grandes medos dos pais de crianças e jovens com estes problemas é o que vai ser dos nossos filhos quando não estivermos cá”, explica Filipa Pinto Coelho, presidente da direção da VilacomVida, mãe de Manuel, de 3 anos, que tem síndrome de Down. Primeiro pensaram em encontrar casas para a vida autónoma, mas depressa perceberam que tinham de atuar antes. Estamos a falar de pessoas que, tendo uma perturbação do desenvolvimento intelectual, não são adequados nem aos centros ocupacionais nem ao emprego dito normal, mas têm capacidade para ter uma profissão, mas para isso precisam de formação. E, assim, nasceu, há um ano, o CafécomVida.

Viver com a diferença

É um projeto-piloto inspirado em casos de sucesso europeus, como o Café Domenica, em Brighton, e o Café Joyeux, em Paris.

Atualmente situado na Fundação Portuguesa de Telecomunicações, a cafetaria tem como grande objetivo integrar as pessoas que têm problemas cognitivos na sociedade de uma forma natural, para que esta conviva naturalmente com essa diferença. O ponto de partida é conhecer bem o negócio da restauração para que possam, depois, sugerir estratégias nesta área a possíveis empregadores. A formação que fazem é muito personalizada a cada jovem que por ali passa. A equipa da cafetaria é constituída por seis pessoas, sendo que três têm perturbação de desenvolvimento intelectual e trabalham em regime de part-time

Aprendizagem e empregabilidade

Queremos que as associações que trabalham com estes jovens percebam que somos um braço direito para que possam trabalhar melhor a autonomia. Gostávamos de abrir o próximo café numa escola para intervir ainda mais cedo, junto dos jovens, que, a partir do 10º ano, estão no regime de PIT (Plano Individual de Transição, feito a pensar em quem tem necessidades educativas especiais). A partir de janeiro 2020 vamos alargar o projeto a um conceito de 360º de aprendizagem e empregabilidade, ou seja, na sede de associação serão também lecionadas matemática, português e, no futuro, inglês e informática, para trabalhar outras componentes para além da das competências sociais.

Assim nasce a parceria com a Craveiral Farmhouse

Ainda quando se encontrava em fase de obras, Pedro Franca Pinto, o proprietário, decidiu que iria ter uma pizaria, onde criasse postos de trabalho a jovens adultos da região com perturbação ligeira do desenvolvimento intelectual. Tudo começou numa conversa com Filipa Pinto Coelho que se tornou parceira da iniciativa, tal como In Bocca Al Lupo, a pizaria lisboeta que deu a formação na área das pizas. Um ano depois da abertura do empreendimento turístico, o sonho tornou-se realidade e a “integração do Pedro, que veio da Associação de Paralisia Cerebral de Odemira, na Pizzeria com Vida by In Bocca Al Lupo tem estado a correr muito bem e o Craveiral é um projeto exemplar que fez da integração social uma bandeira desde o início”, sublinha Filipa Pinto Coelho. Por cada piza vendida, 1€ é doado à Associação VilacomVida.

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